DARF é o documento usado para pagar o imposto sobre lucros em renda variável. Se você teve ganho tributável com ações, FIIs, ETFs, BDRs ou day trade, precisa apurar o resultado do mês, calcular o imposto devido e pagar dentro do prazo para evitar multa e juros.

O DARF — Documento de Arrecadação de Receitas Federais — é a forma que a Receita Federal usa para arrecadar tributos fora do contexto da folha de pagamento. Para investidores de renda variável, ele é o mecanismo de pagamento do Imposto de Renda sobre ganhos líquidos obtidos em operações na bolsa. Ignorá-lo é um dos erros mais comuns — e mais caros — de quem começa a investir.

📌 Resumo rápido: em operações comuns com ações, existe isenção quando o total vendido no mês é de até R$ 20.000. Em day trade, FIIs, BDRs e ETFs de índice de ações, essa isenção não se aplica.

Quem precisa pagar DARF?

Você precisa emitir e pagar DARF quando obtém lucro com a venda de ativos de renda variável em determinadas condições. As regras mais importantes são estas:

⚠️ Atenção: a isenção de R$ 20.000 é sobre o valor total vendido no mês, não sobre o lucro. Se você vendeu mais de R$ 20.000 em ações em operações comuns, todo o ganho líquido dessas vendas deixa de ser isento naquele mês.

Alíquotas do IR em renda variável

As alíquotas variam conforme o tipo de operação e o ativo negociado. Entender essa tabela é fundamental para calcular corretamente o imposto e evitar recolhimento a maior ou a menor.

AtivoTipo de operaçãoIsençãoAlíquota IR
AçõesOperação comum (swing trade)Vendas até R$ 20.000/mês15%
AçõesDay tradeNenhuma20%
FIIsVenda de cotasNenhuma20%
ETFs de índice de açõesVenda de cotasNenhuma15%
ETFs de índice de açõesDay tradeNenhuma20%
BDRsOperação comumNenhuma15%
BDRsDay tradeNenhuma20%

Do ganho bruto, você pode descontar corretagem, emolumentos e outros custos operacionais diretamente ligados à negociação. O resultado é a base de cálculo sobre a qual incide a alíquota.

Como calcular DARF passo a passo

O cálculo é mensal e feito pelo próprio investidor. A corretora não apura o DARF completo por você; ela apenas informa as operações e faz a retenção de IR na fonte em alíquotas bem pequenas, que podem ser compensadas depois.

Na prática, a lógica é simples: lucro líquido tributável menos compensações e menos IRRF já recolhido. O difícil costuma ser manter organização, separar corretamente day trade de operação comum e não esquecer prejuízos antigos.

💡 Exemplo rápido: se você teve lucro de R$ 3.000 em ações em operações comuns, vendeu acima de R$ 20.000 no mês e teve R$ 400 de prejuízo acumulado para compensar, a base cai para R$ 2.600. Sobre esse valor, aplica-se 15%, menos o IR retido na fonte.

Como compensar prejuízos

Uma regra muito importante — e frequentemente ignorada por investidores iniciantes — é que prejuízos podem ser compensados com lucros futuros para reduzir o imposto a pagar. Se você teve prejuízo de R$ 1.000 em março e lucro de R$ 2.000 em abril, o imposto incide sobre R$ 1.000, desde que as operações estejam na mesma categoria.

Essa compensação obedece regras específicas:

É exatamente aqui que muita gente paga imposto a mais. Sem histórico confiável de prejuízos acumulados, fica fácil recolher além do necessário ou declarar números errados no ajuste anual.

Se você quiser aprofundar esse tema, vale ler também o artigo Como compensar prejuízo em operações na bolsa.

Como emitir o DARF na prática

Depois de calcular o imposto, você precisa gerar o documento de pagamento. Hoje, o investidor pessoa física pode usar o ReVar — calculadora oficial integrada ao ambiente do investidor — ou emitir o DARF pelo SicalcWeb, sistema da Receita Federal para cálculo de acréscimos legais e emissão do documento.

Os dados normalmente exigidos são:

O pagamento pode ser feito por internet banking, aplicativo do banco ou outros canais aceitos pela instituição financeira. Guarde o comprovante, porque ele é útil para conferência e declaração anual.

📌 DARF com valor inferior a R$ 10,00 não deve ser recolhido isoladamente. Nesse caso, o valor pode ser acumulado para os meses seguintes até atingir o mínimo para pagamento.

Qual é o prazo para pagar o DARF?

O vencimento é o último dia útil do mês seguinte ao da apuração. Se você teve ganho tributável em abril, por exemplo, o imposto vence no último dia útil de maio.

Perder esse prazo gera multa e juros. Por isso, para quem investe com frequência, o ideal é manter uma rotina mensal de apuração, em vez de deixar tudo para o período da declaração anual.

DARF atrasada: como regularizar

Se você esqueceu de pagar, ainda dá para corrigir a situação. O caminho mais simples é recalcular o débito em atraso no sistema apropriado, que já adiciona os acréscimos legais automaticamente.

Regularizar espontaneamente costuma ser muito melhor do que esperar uma eventual cobrança. Além de reduzir o risco de dor de cabeça futura, você deixa a sua escrituração pessoal em ordem para a declaração anual.

Erros comuns ao pagar DARF

Mesmo investidores experientes cometem erros recorrentes. Os mais comuns são:

O melhor antídoto contra esses erros é ter um controle mensal consistente. Quanto mais operações você faz, mais caro costuma sair o improviso.

DARF na declaração anual do Imposto de Renda

Os valores pagos via DARF devem ser informados na declaração anual de Imposto de Renda, na ficha de Renda Variável. Além disso, você precisa informar os resultados mensais e a posição da carteira em 31 de dezembro.

Se quiser um passo a passo específico sobre a declaração, veja também Como declarar imposto de renda de investimentos.

💡 O Finnly ajuda a organizar suas operações, controlar resultados e manter sua vida financeira em ordem. Quando você acompanha seus números mês a mês, o imposto deixa de virar um problema de última hora.